SAUDAÇÃO


Terminado o canto de entrada, toda a assembleia, de pé, faz o sinal da cruz, enquanto o sacerdote diz:
Pres: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Ass: Amém.

O sacerdote, voltado para o povo e abrindo os braços, saúda-o:
Pres: O Senhor esteja convosco.
Ass: Ele está no meio de nós.

Pres: Queridos irmãos e irmãs, hoje, nos reunimos aqui para percorrer o caminho da cruz, seguindo os passos de Jesus, que nos mostrou o caminho do amor e da unidade. Nós somos chamados a ser uma comunidade de amor, onde todos são acolhidos e valorizados, onde as diferenças são respeitadas e as diversidades são celebradas. Vamos percorrer este caminho da cruz, meditando sobre as palavras de Jesus: 'Que todos sejam um, como Tu, Pai, estás em mim e eu em Ti, para que o mundo acredite que Tu me enviaste' (João 17,21). Que esta Via Sacra nos ajude a aprofundar nossa fé e a nos comprometer a trabalhar pela unidade e a comunhão na Igreja e no mundo.

Ass: Bom Deus, neste caminho de unidade e reconciliação, fazei germinar em nós a vossa caridade, para que Convosco e o Pai sejamos um.



I ESTAÇÃO: JESUS É CONDENADOÀ MORTE



Pres: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos!
Ass: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

Leitor 1: Do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (27,1-2.16): "De manhã cedo, todos os sumos sacerdotes e os anciãos do povo reuniram-se em conselho contra Jesus, a fim de condená-lo à morte. Tendo amarrado Jesus, levaram-no e o entregaram a Pilatos, o governador. Então, Pilatos soltou Barrabás e mandou flagelar Jesus e entregou-o para ser crucificado".

(Silêncio contemplativo)

Leitor 2:
Jesus, o único totalmente inocente, aceita o silêncio diante de uma sentença injusta. Quantas vezes, em nossas comunidades ou em minecraft, condenamos alguém sem nem tentar entender o seu lado? A fofoca, o julgamento apressado e a exclusão de quem pensa diferente de nós são formas de "condenar" o irmão. Para que sejamos um, precisamos aprender a ouvir antes de julgar e a amar antes de apontar o erro. A unidade morre quando o nosso ego se torna o juiz do próximo.

Ass: Senhor Jesus, que fostes condenado injustamente, perdoai as vezes em que usamos nossas palavras para ferir ou excluir alguém. Dai-nos um coração manso que não busca ter sempre a razão, mas que busca a paz. Que no nosso convívio, em vez de dedos apontados, tenhamos ouvidos abertos para acolher a verdade do outro. Fazendo-nos entender que a união da Igreja começa no respeito que temos por cada pessoa que caminha conosco.

Canto: A morrer crucificado, meu Jesus é condenado; por teus crimes, pecador. Pela Virgem dolorosa, nossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, meu Jesus!


II ESTAÇÃO: JESUS TOMA A PESADA CRUZ AOS OMBROS



Pres: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos!
Ass: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

Leitor 1: Do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (27,27-31): "Em seguida, os soldados do governador levaram Jesus ao pretório e reuniram toda guarnição em volta dele. Tiraram-lhe as vestes e vestiram-no com um manto escarlate. Depois, puseram-lhe na cabeça uma coroa de espinhos que trançaram, um caniço na mão direita e ajoelharam-se diante de Jesus, enquanto diziam, zombando: 'Salve, rei dos judeus!' Cuspiram nele e bateram-lhe na cabeça com o caniço. (...) Então, levaram Jesus para ser crucificado".

(Silêncio contemplativo)

Leitor 2: A cruz de Jesus não era apenas madeira; era o peso de todos os nossos pecados e divisões. Carregar a cruz hoje significa aceitar o desafio de ser cristão em todos os lugares, inclusive na internet. Às vezes, o peso é o cansaço de tentar manter a comunidade unida quando há brigas ou desinteresse. Mas Jesus nos ensina que o amor não foge da responsabilidade. Ser "um" exige que cada um carregue a sua parte com paciência e dedicação, sem reclamar do peso que o irmão não consegue carregar.

Ass: Meu bom Jesus, às vezes a missão de ser um bom cristão parece pesada demais. Sentimos o peso das críticas e da dificuldade de manter a paz entre os nossos amigos e irmãos. Ajudai-nos a não soltar a nossa cruz quando o caminho ficar difícil. Que a gente entenda que cada esforço que fazemos pela unidade da Igreja é um gesto de amor por Vós. Dai-nos coragem para levar o Vosso nome com orgulho e alegria, sendo sinais de luz onde quer que a gente esteja.

Canto: Com a cruz é carregado e do peso acabrunhado, vai morrer por teu amor. Pela Virgem dolorosa, nossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, meu Jesus!


III ESTAÇÃO: JESUS CAI PELA PRIMEIRA VEZ



Pres: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos!
Ass: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

Leitor 1: Do Livro do Profeta lsaías : "Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças, contudo nós o consideramos castigado por Deus, por ele atingido e afligido. Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados. Todos nós, tal qual ovelhas, nos desviamos, cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho; e o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós.

(Silêncio contemplativo )

Leitor 2: Mesmo sendo Deus, Jesus cai. Isso nos mostra que o caminho da santidade e da unidade não é feito de perfeição, mas de persistência. Na nossa caminhada como Igreja, nós também caímos quando deixamos o egoísmo falar mais alto ou quando perdemos a paciência com o erro de um irmão. A queda nos lembra que somos humanos e precisamos uns dos outros. A unidade não é feita de pessoas que nunca erram, mas de pessoas que sabem reconhecer que precisam de ajuda para levantar e continuar.

Ass: Senhor, pedimos perdão pelas nossas quedas que ferem a união da Vossa Igreja. Perdoai-nos quando o nosso orgulho nos faz achar que somos melhores que os outros jogadores ou membros da comunidade. Quando cairmos no pecado da discórdia, estendei a Vossa mão e ajudai-nos a levantar com mais humildade. Que a gente nunca desista de buscar a paz, mesmo que tenhamos que recomeçar muitas vezes o caminho da reconciliação.

Canto: Pela cruz tão oprimido, cai Jesus desfalecido, pela tua salvação. Pela Virgem dolorosa, nossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, meu Jesus!


IV ESTAÇÃO: JESUS ENCONTRA SUA QUERIDA MĂE



Pres: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos!
Ass: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

Leitor 1: Do livro das Lamentações (1,12): Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena.Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: “Mulher, eis aí teu filho”. Depois disse ao discípulo: “Eis aí tua mãe”. E dessa hora em diante o discípulo a recebeu como sua mãe.

(Silêncio contemplativo)

Leitor 2: No meio da dor, Jesus encontra o olhar de Maria. Ela não diz nada, mas a sua presença diz tudo: "Eu estou aqui com você". Na Igreja, somos chamados a ser essa presença de consolo. Para que todos sejam um, precisamos de um coração de mãe, que acolhe a todos sem perguntar quem é mais importante. Maria é o nó que une todos os filhos de Deus. Quando olhamos para ela, lembramos que somos todos irmãos e que a nossa casa é a Igreja, onde ninguém deve se sentir órfão ou sozinho.

Ass: Ó Maria, Mãe da Unidade, olhai para as nossas comunidades virtuais e presenciais. Muitas vezes nos sentimos sozinhos ou incompreendidos, mas o vosso olhar nos recorda que fazemos parte de uma grande família. Ensinai-nos a acolher os novos irmãos com o mesmo carinho com que acolhestes Jesus no caminho do Calvário. Que a vossa intercessão ajude a derrubar os muros do preconceito e da indiferença, para que realmente vivamos como uma família unida pelo amor de Deus.

Canto: De Maria lacrimosa, no encontro, lastimosa, vê a imensa compaixão. Pela Virgem dolorosa, nossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, meu Jesus!


V ESTAÇÃO: SIMÃO CIRINEU AJUDA JESUS A CARREGAR A CRUZ


Pres: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos!
Ass: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

Leitor 1: Do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus: "Ao saírem, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e o requisitaram para carregar a cruz de Jesus".

(Silêncio contemplativo)

Leitor 2: Simão não conhecia Jesus, mas foi chamado a ajudar. Isso é o que significa ser Igreja: ajudar o outro mesmo quando não o conhecemos bem ou quando não é conveniente para nós. No mundo digital, o "Cireneu" é aquele que ensina um comando a quem não sabe, que defende quem está sofrendo ofensas, ou que dedica tempo para ouvir o desabafo de um amigo. A unidade se constrói com gestos práticos de ajuda mútua. Ninguém deve carregar o peso da vida ou da missão sozinho se estamos todos no mesmo "servidor" de Cristo.

Ass: Jesus, fazei-nos prontos para ajudar. Que a gente não passe reto diante do sofrimento do irmão, achando que o problema dele não é nosso. Dai-nos olhos atentos para perceber quem está cansado e mãos generosas para dividir o trabalho. Que na nossa Assembleia e no nosso dia a dia, a gente aprenda que a verdadeira força da Igreja está na nossa capacidade de carregar os fardos uns dos outros, vivendo a caridade que nos torna verdadeiramente um em Vós.

Canto: Em extremos desmaiado, teve auxílio, tão cansado, recebendo o Cireneu. Pela Virgem dolorosa, nossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, meu Jesus!


VI ESTAÇÃO: VERÔNICA ENXUGA O ROSTO DE JESUS



Pres: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos!
Ass: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

Leitor 1: Do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (25,40): "Então, o Rei lhes responderá: "Em verdade, vos digo: todas as vezes que fizestes isso a um destes mínimos que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes!"

(Silêncio contemplativo)

Leitor 2: Verónica teve coragem. No meio da multidão que gritava, ela viu a face sofrida de Jesus e agiu. Hoje, o rosto de Cristo está escondido em cada pessoa que sofre, que é excluída ou que está triste atrás de uma tela de computador. Limpar o rosto de Jesus é ter a coragem de ser gentil em ambientes onde o ódio é comum. Quando agimos com misericórdia, a imagem de Deus brilha em nós. A unidade acontece quando enxergamos o Cristo no outro e fazemos de tudo para aliviar a sua dor.

Ass: Senhor Jesus, dai-nos a coragem de Verónica. Que a gente não tenha medo de ser "diferente" e de agir com bondade mesmo quando todos estão sendo rudes. Que o nosso modo de falar e agir seja como aquele lenço que limpa as lágrimas e o sofrimento de quem cruza o nosso caminho. Gravai o Vosso rosto em nosso coração, para que as nossas ações mostrem ao mundo a beleza da Vossa Igreja e o poder da união entre os cristãos.

Canto: O seu rosto ensanguentado, por Verônica enxugado, eis, no pano, apareceu. Pela Virgem dolorosa, nossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, meu Jesus!


VII ESTAÇÃO: JESUS CAI PELA SEGUNDA VEZ



Pres: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos!
Ass: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

Leitor 1: Do Livro do Profeta Isaías (49,7): "Assim diz o Senhor, o Redentor de Israel, o seu Santo, àquele que é desprezado, ao abominado pelas nações, ao escravo dos dominadores: 'Ao verem, os reis ficarão de pé, também os príncipes, e se prostrarão, por causa do Senhor, que é fiel, pelo Santo de Israel, que te escolheu!"

(Silêncio contemplativo)

Leitor 2: Cair de novo dói mais, porque parece que não aprendemos a lição. As divisões na Igreja são como essa segunda queda. Quantas vezes prometemos viver em paz, mas voltamos a brigar por bobagens, por cargos ou por querer ser o centro das atenções? Jesus levanta-se novamente para nos ensinar que a reconciliação é um trabalho diário. Não podemos deixar que as nossas falhas repetidas nos façam desistir do sonho de Jesus: "que todos sejam um". O perdão deve ser infinito como o de Deus.

Ass: Perdão, Senhor, pela nossa teimosia em errar as mesmas coisas. Perdoai-nos quando voltamos a criar divisões e fofocas mesmo sabendo o quanto isso magoa o Vosso Coração. Ajudai-nos a ter a paciência de recomeçar a amizade com aquele irmão que nos irrita. Dai-nos a força para pedir desculpas e a grandeza de alma para perdoar quem nos ofendeu, para que a Vossa Igreja não fique caída no chão da discórdia, mas se levante sempre na força do amor.

Canto: Outra vez desfalecido, pelas dores abatido, cai por terra, o Salvador. Pela Virgem dolorosa, nossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, meu Jesus!


VIII ESTAÇÃO: JESUS CONSOLA AS MULHERES QUE CHORAVAM



Pres: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos!
Ass: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

Leitor 1: Do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (23,27-29): "Seguia-o uma grande multidão do povo, bem como de mulheres, que batiam no peito e choravam por ele. Jesus, porém, voltou-se para elas e disse: 'Mulheres de Jerusalém, não choreis por mim! Chorai por vós mesmas e por vossos filhos! Porque dias virão em que se dirá: Bem-aventuradas as estéreis, os ventres que nunca deram à luz e os seios que nunca amamentaram".

(Silêncio contemplativo)

Leitor 2: Jesus está sofrendo, mas a Sua preocupação é com os outros. Ele ensina que o verdadeiro amor não olha apenas para a própria dor, mas se volta para a dor do próximo. Às vezes, ficamos tão focados nos nossos problemas de organização, de construção ou de opiniões pessoais que esquecemos das pessoas que precisam de consolo espiritual. Ser um significa ter empatia. A unidade se fortalece quando paramos de chorar por nós mesmos e começamos a cuidar das feridas de quem está ao nosso lado.

Ass: Jesus Consolador, ensinai-nos a olhar além do nosso próprio ser. Que a nossa comunidade seja um lugar onde as pessoas encontram paz e esperança, e não apenas regras e discussões. Dai-nos palavras que curem e atitudes que tragam alegria. Que o nosso foco seja sempre o bem do irmão, pois só assim seremos a Igreja que Vós sonhastes: um povo unido que cuida uns dos outros com o mesmo amor que tivestes por nós.

Canto: Das mulheres piedosas, de Sião, filhas chorosas, é Jesus consolador. Pela Virgem dolorosa, nossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, meu Jesus!


IX ESTAÇÃO: JESUS CAI PELA TERCEIRA VEZ



Pres: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos!
Ass: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

Leitor 1: Do Livro do Profeta Isaías (53,2-5): "Não tinha aparência nem beleza para que o olhássemos, nem formosura que nos atraísse. Foi desprezado, como o último dos homens, homem de dores, experimentado no sofrimento, e quase escondíamos o rosto diante dele; desprezado, não lhe demos nenhuma importância. Entretanto, ele assumiu as nossas fraquezas, e as nossas dores, ele as suportou. E nós achávamos que ele era um castigado, alguém por Deus ferido e humilhado. Mas, ele foi ferido por causa de nossas iniquidades, esmagado por causa de nossos crimes. O castigo que nos dá a paz caiu sobre ele. Por seus ferimentos fomos curados".

(Silêncio contemplativo)

Leitor 2: Jesus está quase sem forças, mas levanta-se para chegar ao fim. Essa queda representa o desânimo profundo que às vezes sentimos quando tentamos fazer o bem e tudo parece dar errado. Na evangelização digital ou na paróquia, há momentos em que a unidade parece impossível. Mas a Igreja não é mantida pela nossa força, e sim pela força de Deus. Quando chegamos ao nosso limite, é que a Graça de Deus age. Levantar-se pela terceira vez é um ato de fé pura na vitória do amor sobre a divisão.

Ass: Senhor, quando o cansaço bater e a gente sentir vontade de desistir de tudo, dai-nos a Vossa força. Não nos deixeis desanimar diante das dificuldades de unir as pessoas. Que a gente se lembre que Vós caístes três vezes e não desististes de nós. Renovai o entusiasmo dos nossos jovens, dos nossos bispos e de todos os que trabalham pela Igreja, para que continuemos caminhando juntos, com os olhos fixos na Ressurreição que nos espera.

Canto: Cai terceira vez prostrado, pelo peso redobrado, dos pecados e da
cruz. Pela Virgem dolorosa, nossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, meu Jesus!


X ESTAÇÃO: JESUS É DESPIDO DE SUAS VESTES



Pres: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos!
Ass: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

Leitor 1: Do Livro do Gênesis (3,8-11): "Quando ouvirama voz do Senhor Deus, que andava pelo jardim à brisa da tarde, o homem e a mulher esconderam-se da face do Senhor Deus, por entre as árvores do jardim. Mas, o Senhor Deus chamou o homem e disse-lhe: Onde estás?' Ele respondeu: 'Ouvi tua voz no jardim. Fiquei com medo, porque estava nu, e me escondi'. Deus perguntou: E quem te fez saber que estavas nu? Acaso comeste das árvores da qual te proibi comer?"

(Silêncio contemplativo)

Leitor 2: Jesus fica sem nada. Ele é humilhado diante de todos. Para que a Igreja seja unida, precisamos também nos "despir" de muitas coisas: do nosso orgulho, da mania de querer ser o mais importante, dos nossos preconceitos. No jogo da vida, muitas vezes queremos ostentar "armaduras" e "itens" de superioridade. Mas, diante da Cruz, somos todos iguais. A unidade só acontece quando ficamos "nus" de vaidade e nos vestimos apenas de Cristo. A simplicidade é o que une os corações.

Ass: Jesus, que fostes despojado de tudo, tirai de nós o desejo de aparecer e de ser melhores que os outros. Lavai a nossa alma de toda inveja e competitividade negativa. Que a nossa única riqueza seja a Vossa amizade e a nossa união com os irmãos. Que a gente aprenda a valorizar mais o "ser" do que o "ter", e que a nossa comunidade seja reconhecida pela simplicidade e pela acolhida, onde todos se sentem iguais e amados.

Canto: Dos vestidos despojado, por algozes maltratado, eu Vos vejo, meu Jesus. Pela Virgem dolorosa, nossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, meu Jesus!

XI ESTAÇÃO: JESUS É PREGADO NA CRUZ



Pres: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos!
Ass: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

Leitor 1: Do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (23,32-34): "Levavam também dois malfeitores para serem executados com ele. Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali crucificaram Jesus e os malfeitores: um à sua direita e outro à sua esquerda. Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem oque fazem!

(Silêncio contemplativo)

Leitor 2: Jesus é pregado para não mais fugir do Seu compromisso de amor. Muitas vezes, nossa busca pela unidade é passageira: somos amigos enquanto tudo está bem, mas "fugimos" quando surge um problema. Estar pregado na cruz com Jesus é assumir o compromisso fiel de não abandonar a Igreja, mesmo quando ela tem defeitos. É decidir amar o irmão difícil, mesmo quando o cravo da incompreensão nos dói. A unidade é um compromisso de sangue e fidelidade que não volta atrás.

Ass: Senhor, que os Vossos cravos nos ensinem a fidelidade. Não deixeis que a gente abandone os nossos irmãos quando as coisas ficam difíceis. Pregai o nosso coração à Vossa vontade, para que a gente não mude de lado conforme o vento. Que a nossa união não seja de palavras, mas de vida, permanecendo firmes na fé e na caridade, custe o que custar, para que o mundo veja que o nosso amor é verdadeiro e duradouro.

Canto: Sois por mim à cruz pregado, insultado, blasfemado, com cegueira e com furor. Pela Virgem dolorosa, nossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, meu Jesus!

XII ESTAÇÃO: JESUS MORRE NA CRUZ


Pres: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos!
Ass: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

Leitor 1: Do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (27,45-50): "Desde a hora sexta, uma escuridão cobriu toda a terra até a hora nona. Pela hora nona, Jesus chamou em alta voz: 'Eli, Ei, lamá sabactâni?', que quer dizer: 'Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?' Alguns dos que ali estavam, ouvindo-o disseram: 'Ele está chamando por Elias!' E logo um deles correu para pegar uma esponja, ensopou-a com vinagre, colocou-a numa vara e lhe deu de beber. Outros, porém, disseram: Deixa, vamos ver se Elias vem salvá-lo!' Então, Jesus chamou outra vez em alta voz, e expirou.

(Silêncio contemplativo)

Leitor 2: No momento da morte, Jesus entrega o Seu Espírito. O véu do templo se rasga e a humanidade é reconciliada com Deus. A morte de Jesus é o nascimento da unidade total: judeus, pagãos, santos e pecadores, todos são alcançados pelo Seu sangue. Para que todos sejam um, algo em nós precisa morrer: o nosso ego, o nosso egoísmo, a nossa vontade de dominar. Quando morremos para nós mesmos, Cristo vive em nós, e é Ele quem realiza a união que nós sozinhos não conseguimos fazer.

Ass: Adoramos-Vos, Senhor, e agradecemos pelo Vosso sacrifício. No silêncio da Vossa morte, pedimos que morra em nós tudo o que nos separa dos irmãos. Que o Vosso sacrifício nos ensine que o maior ato de amor é dar a vida pelo próximo. Que a Eucaristia, que celebramos em memória da Vossa morte, seja sempre o alimento que nos une e a força que nos faz ser um só corpo e um só espírito, para a glória do Pai.

Canto: Meu Jesus, por mim morrestes, por meus crimes padecestes. Oh, que grande é minha dor! Pela Virgem dolorosa, nossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, meu Jesus!


XIII ESTAÇÃO: JESUS É DESCIDO DA CRUZ


Pres: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos!
Ass: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

Leitor 1: Do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (23,50-53): "Havia ali um homem chamado José, membro do Sinédrio, homem bom e justo, o qual não tinha aprovado a decisão nem a ação dos outros. Era de Arimateia, uma cidade da Judeia, e esperava a vinda do Reino de Deus. Ele foi ter com Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Desceu-o da cruz, enrolou-o num lençol e colocou-0 num túmulo escavado na rocha, onde ninguém ainda fora depositado.

(Silêncio contemplativo)

Leitor 2: O corpo de Jesus é tratado com carinho por um pequeno grupo de amigos fiéis. A unidade também se manifesta no cuidado com o "corpo" da Igreja, que são as pessoas. Quando alguém está desanimado, quando um grupo se desfaz ou quando um irmão erra, somos nós que devemos "descer da cruz" com cuidado e misericórdia. Não podemos deixar ninguém jogado ou esquecido. Cuidar dos restos mortais de Jesus é cuidar da santidade da nossa comunidade e da dignidade de cada pessoa.

Ass: Senhor Jesus, dai-nos mãos ternas para cuidar dos irmãos que sofrem. Que a nossa comunidade seja como o colo de Maria: um lugar de repouso e cura. Que a gente nunca despreze ninguém, mas que saibamos recolher com amor aqueles que foram feridos pela vida ou pelos próprios erros. Ensinai-nos a tratar as coisas de Deus e as pessoas com o máximo respeito e carinho, pois nelas habita a Vossa presença.

Canto: Do madeiro vos tiraram e à Mãe vos entregaram, com que dor e compaixão! Pela Virgem dolorosa, nossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, meu Jesus!


XIV ESTAÇÃO: JESUS É SEPULTADO



Pres: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos!
Ass: Porque, pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo!

Leitor 1: Do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (23,55-56): "As mulheres, que tinham vindo da Galileia com Jesus, acompanharam José e observaram o túmulo e o modo como seu corpo ali era colocado. Depois voltaram para casa e prepararam perfumes e bálsamos".

(Silêncio contemplativo)

Leitor 2: O sepulcro parece o fim, mas é apenas o lugar da espera. A unidade da Igreja muitas vezes parece estar "enterrada" por causa de tantos escândalos, brigas e divisões no mundo. Mas nós somos o povo da esperança. Mesmo quando tudo parece parado ou sem vida, Deus está trabalhando no silêncio. Enterramos com Jesus o homem velho da discórdia, para que ressuscite o homem novo da comunhão. A semente da IV Assembleia Geral está plantada; agora é preciso esperar com fé os frutos de unidade que virão.

Ass: Senhor, no silêncio deste sepulcro, renovamos a nossa esperança. Acreditamos que a unidade é possível porque ela vem de Vós. Guardai a nossa fé durante as noites escuras da dúvida e da divisão. Que a gente saiba esperar o tempo da colheita, trabalhando com amor e oração. Que ao sairmos desta Via-Sacra, sejamos pessoas novas, prontas para construir um mundo — real ou virtual — onde todos se amem e todos sejam realmente um em Vós.

Canto: No sepulcro vos puseram, mas os homens tudo esperam, do Mistério da Paixão. Pela Virgem dolorosa, nossa Mãe tão piedosa, perdoai-me, meu Jesus!

ORAÇÃO FINAL

Pres: Ao concluirmos esta caminhada, acompanhando nosso Senhor e nossas irmãs e irmãos que congreagam da mesma fé e vivenciam a dor da falta de unidade como seus calvários, peçamos a Deus perdão por nossas de iniquidades e divisões.

Pai Santo, Ao final deste caminho de dor e de amor, nosso coração se volta para Vós com gratidão. Percorremos os passos de Vosso Filho e vimos que a Cruz é, na verdade, a ponte que une o céu e a terra, e o altar onde todas as nossas divisões são vencidas pelo perdão.

Senhor, nós Vos pedimos: abençoai a nossa comunidade. Que as reflexões desta Via-Sacra não fiquem apenas em nossas mentes, mas se transformem em gestos concretos de fraternidade. Que no grande "servidor" da vida, sejamos construtores de paz e não de muros; que nossas palavras sejam de bênção e não de julgamento; e que nossa presença seja um reflexo da Vossa luz, capaz de iluminar as periferias do mundo e os espaços digitais onde habitamos.

Pedimos de modo especial por todos os que participaram desta Assembleia e por todos os que peregrinam na fé: que o desejo de unidade de Jesus, "Para que todos sejam um", seja a nossa bússola. Que sejamos uma Igreja que caminha junta, que se levanta após cada queda e que nunca desiste de buscar o irmão que se perdeu.

Ao olharmos para o sepulcro vazio, recordamos que a morte não tem a última palavra, mas sim a Ressurreição. Que a alegria de sermos Vossos filhos nos dê forças para vivermos em comunhão hoje e sempre, até o dia em que nos encontraremos todos na Jerusalém Celeste, onde a unidade será plena e o Vosso amor será tudo em todos.

Fazei-nos um, Senhor, como Vós sois um com o Filho e o Espírito Santo.

Amém.


BENÇÃO

Se for necessário, façam-se breves comunicações ao povo.
Segue-se o rito de despedida. O sacerdote abrindo os braços, saúda o povo:
Pres: O Senhor esteja convosco.
Ass: Ele está no meio de nós.

Pres: Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom.
Ass: Porque é eterna a sua misericórdia.

O sacerdote abençoa o povo, dizendo:
Pres: Abençoe-vos Deus todo-poderoso, Pai e Filho + e Espírito Santo.
Ass: Amém.

Depois, o diácono ou o próprio sacerdote diz ao povo, unindo as mãos:
Feliz daquele que foi perdoado da sua culpa, e absolvido dos seus pecados. Alegrai-vos, irmãos, e exultai no Senhor. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.
Ass: Graças a Deus.

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